terça-feira, 22 de novembro de 2016

Corredor da ilusão

A estrada velha está hoje restaurada
Quantas boiadas por ali antes passaram
Veio o progresso mudou tudo, eu não esqueço
Também padeço com as marcas que ficaram

Hoje no asfalto sobre rodas vão boiadas
Nestas estradas que cortam o Brasil inteiro
Corta de dor um coração já sem esperança
Vai com a lembrança cavalgando o boiadeiro

Hoje, seu moço, sobre rodas também vivo
Tenho no arquivo da memória a razão
Sou um boiadeiro sem cavalo e sem boiada
A minha estrada é o corredor da ilusão

Em cada canto do grande Brasil colosso
Meu caro moço não tem um que eu não passei
Trago gravado e bem guardado na memória
A minha história que jamais esquecerei

Veja seu moço pendurado na parede
Aquela rede, minha sela e meu passado
Ao lado dela, o berrante e o meu laço
Também meus passos vivem hoje pendurados

Eu já estou velho numa cadeira de rodas
Me incomoda; quem será que me parou
Será os anos, o destino ou minha sorte
Só espero a morte igual à boiada esperou

Hoje o presente para mim não mais existe
Deus não permite ao homem restauração
Fui boiadeiro, caro moço, hoje sou história
Brasil afora já fui Rei da profissão

Autor: José Nogueira Lima
09/02/2013

letrarabiscada@gmail.com

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